Saletinos no Brasil

SALETINOS NO BRASIL

O Padre Clemente Henrique Moussier, MS foi o primeiro saletino a chegar ao Brasil. No dia 26 de setembro de 1860, nascia em Ablandins, uma das aldeias de LA SALETTE, o menino Clemente Henrique, filho de Jean e Sophie Moussier. A fé e a devoção a Nossa Senhora da Salette o fez sentir-se chamado por Deus. Após sua caminhada vocacional, foi ordenado sacerdote no dia 31 de maio de 1885. Tinha alma de missionário. Um desejo de ir além fronteiras para transmitir a Mensagem da Salette e comprometer a vida como Missionário, levou o Padre Moussier a partir para a América do Norte, como membro do primeiro grupo de Missionários de Nossa Senhora da Salette que para lá se dirigiu. Trabalhando no apostolado da missão saletina, ouviu falar do Brasil, de sua pobreza e carência de sacerdotes para atender as necessidades religiosas de seu povo. Inflamou-se nele o ardente desejo de se dirigir para o Brasil. Depois de repetidas tentativas para obter a licença do Superior Geral para tanto, finalmente foi atendido em seu pedido. Depois de um retiro na Montanha da Salette, tomou o Vapor La Plata, em Bordeaux, França, e atracou no Porto de Santos no dia 18 de dezembro de 1902.

Foi recebido por um sacerdote francês, seu amigo, que trabalhava em Itú, no interior de São Paulo. Para lá se dirigiram. Padre Moussier foi aprendendo a falar o português e procurando um lugar para dar início à obra saletina no Brasil. Depois de trabalhar em Jaú, durante algum tempo, e tendo contato com o Arcebispo de São Paulo, foi-lhe confiada, em 1904, a recentemente fundada Paróquia de Santana, em São Paulo. Dedicou-se imediatamente ao trabalho paroquial e à construção da Igreja Matriz. Nesse meio tempo, dava atendimento à comunidade a partir da Capela Santa Cruz, onde morava graças às Irmãs de São José de Chambéry que dirigiam um Colégio anexo, e onde se estabeleceram também os primeiros confrades do Padre Moussier vindos da Europa a partir de 1904. Em 1912, Padre Moussier, com a permissão do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, partiu para lá. Queria muito fundar um Santuário de Nossa Senhora da Salette na Capital do Brasil. Assumiu a nova Paróquia no Bairro do Catumbi, bairro pobre da Capital Federal, e ao mesmo tempo, atendia outra Paróquia sem Padre, nas vizinhanças. Extenuado pelo intenso trabalho pastoral, morreu no Rio de Janeiro, em 1919, depois de ter dado início à fundação do sonhado Santuário.

Nesse meio tempo, os Missionários haviam atuado igualmente em Campinas e Santa Cruz das Palmeiras, SP. A missão saletina ter-se-ia firmado melhor no Brasil, nesse tempo, se três dentre os Missionários atuantes no país, não tivessem sido convocados pelo Governo Francês para lutarem no campo de batalha, na França, durante a 1ª Guerra Mundial de 1914-1918.

Em 1942 os Missionários Saletinos puderam fundar nova Paróquia-Santuário, no Alto de Santana, SP, desmembrada da Paróquia de Santana. Anos mais tarde, na capital paulista ainda, os Missionários fundaram a Paróquia de Vila Paulistana. Em São Paulo mantêm igualmente uma Casa de Formação para futuros sacerdotes da Província. Em 1986, deixaram, porém, de atender a Paróquia de Santana, depois de oitenta e dois anos de dedicação apostólica.

Com a chegada de novos colaboradores para a obra saletina no Brasil, depois da 1ª Guerra Mundial, nova Paróquia, além das Paróquias de Santana, SP, e Catumbi, RJ, foi fundada em Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, em 1928. Um Seminário para a formação de Padres Saletinos brasileiros teve ali sua fundação nesse mesmo ano. Alguns anos depois, em 1936, iniciaram as grandes Romarias a Nossa Senhora da Salette no local. Em vista do grande movimento de peregrinos em Marcelino Ramos, o então Bispo de Santa Maria, Dom Antônio Reis, Diocese à qual pertencia a vila, solicitou aos Missionários Saletinos que construíssem um Santuário dedicado a Nossa Senhora da Salette. O novo templo mariano foi iniciado em 1946, Ano Centenário da Aparição de Nossa Senhora da Salette, e inaugurado no Natal de 1948.

O Seminário de Marcelino Ramos tornou-se, em 1946 ainda, a sede da Revista SALETTE, fundada no Rio de Janeiro em 1917. Desde então era lá editada. O Seminário é também a base de atuação da Equipe Missionária Saletina que presta serviço a inúmeras Paróquias do Sul do Brasil.

Com o crescimento do número de seminaristas internos no Seminário que fica junto ao Santuário de Marcelino Ramos, tornava-se necessário um espaço maior. Em 1956, iniciaram os trabalhos de construção de uma nova ala para o Seminário, concluída em 1962. Atualmente, junto ao Santuário, também se encontra a Casa do Noviciado. Hoje a Província mantém Casas de Formação não só em Marcelino Ramos, como também em União da Vitória e Curitiba, no Paraná, na Capital de São Paulo, em Salvador, na Bahia, e em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Em 1963 a Província Imaculada Conceição dos Missionários de Nossa Senhora no Brasil assumiu extensa região missionária em Valença, ao sul de Salvador, Bahia. Poucos anos antes, diversas Paróquias foram assumidas também no sul do Brasil: em Curitiba e no interior do Estado do Paraná. Em Curitiba, além da Casa Provincial, é atendida uma Paróquia-Santuário e um centro de retiros, de encontros pastorais e de formação sacerdotal, chamado Instituto Salette.

Em Várzea Grande, MT, os Missionários se fazem presentes para atender uma vasta Paróquia e um Santuário Arquidiocesano dedicado a Nossa Senhora da Salette. Estão igualmente presentes em Cujubim, na Rondônia, numa frente missionária. Atendendo ao pedido do Bispo da Diocese de Ipameri, Goiás, atuam também em Caldas Novas, GO, onde, em 2004, iniciaram a obra do Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Salette. Já haviam dado valiosa ajuda à Diocese de Goiás, GO, entre 1990 e 2000. Recentemente, a pedido do Bispo Diocesano e dos Monges do Mosteiro de Taizé, em Alagoinhas, Bahia, os Missionários Saletinos assumiram a direção deste Centro Ecumênico de Espiritualidade da Reconciliação. Há muitos anos a Província do Brasil atende a uma especial Missão junto a comunidades de portugueses na Diocese de Stutgart, Alemanha.

A devoção a Nossa Senhora da Salette se expandiu muito e suscitou cá e lá pequenos Santuários e Paróquias dedicados a essa devoção, não só no Brasil, mas também no Paraguai, o que exige uma presença pastoral ocasional dos Missionários Saletinos.

Além desses postos de ação pastoral, os Missionários Saletinos prestaram serviço à Conferência dos Bispos bem como à Conferência dos Religiosos do Brasil, tanto em sua Sede Nacional, quanto em Sedes Regionais.

No apostolado da Reconciliação a que os Missionários de Nossa Senhora da Salette se doam, contam com a colaboração das Irmãs de Nossa Senhora da Salette presentes na França, Angola, Madagascar, Filipinas, Brasil e Myanmar. No Brasil, as Irmãs têm comunidades em Curitiba e União da Vitória, no Paraná, e em Várzea Grande, no Mato Grosso.

Nos últimos anos, a Congregação dos Missionários de Nossa Senhora da Salette deu início a um movimento de associados a sua espiritualidade e apostolado de Reconciliação, sob o nome de Leigos Saletinos. São homens e mulheres encantados com o “evento da Salette”. Sem pertencerem aos quadros formais da Congregação e permanecendo no próprio estado de vida, profissão e residência, se unem aos Missionários no empenho de uma vida cristã reconciliada e reconciliadora na Igreja e na sociedade atual. Seguem um Regimento de Vida próprio que prevê a organização interna, os princípios de vida e espiritualidade, e que os mantém unidos entre si e a Nossa Senhora da Salette, segundo o carisma da Reconciliação. O movimento existe em diferentes países.

No Brasil são dezenas de pessoas, em diferentes Estados do país, que participam do movimento depois de adequada iniciação. Reúnem-se periodicamente para a mútua animação em seu projeto de vida, em união com os Missionários e as Irmãs de Nossa Senhora da Salette.

BIBLIOGRAFIA:
- FASSINI, Atico. “SALETTE: DE VOLTA À FONTE”, Curitiba, 2012
- FASSINI, Atico. “CRÔNICAS DE UMA MISSÃO”, Curitiba, 2002
- FASSINI, Atico. “SALETTE NA ROTA DO CRUZEIRO DO SUL”, Curitiba, 2010
Pe. Atico Fassini, MS.
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